domingo, 13 de março de 2011

Desenhando como criança

Apollo - The development of the idea
Olá, pessoal
Depois de anos e anos frequentando ambientes de atividades artísticas, entre aulas para me sustentar, trabalhos diversos e exposições, conheci um mundo de gente e um mundo de visões sobre arte. Eu era um completo estranho numa festa completamente errada para mim. As minhas origens – surfista e, depois, o isolamento para pesquisa da minha identidade espiritual – não tinham nada a ver com os valores e as referências daquelas pessoas. Eu não era um artista como elas nem gostava de arte. Eu não participava das expectativas delas e, por isso, ninguém me interessava ou me conheceu de fato. Mas, como dizia meu pai nos anos 1990, ao ver o meu desgosto pelo investimento feito ao seguir o caminho da arte: "Começou a dançar e namorar com a mais feia, agora, vai ter que casar com a mais feia!". "Mas como é feia essa tal de arte!", concluía eu, para o meu umbigo, engolindo à seco o que a minha vida havia se transformado. E repeti por anos para o meu umbigo: "Eu tenho que aprender a gostar de arte e dessa gente que gosta de arte!".
Era muito estranho frequentar aquelas pessoas. Quem conseguia entender que os meus trabalhos não são reproduções de obras do passado, logo queria saber como eu havia adquirido tamanho domínio de anatomia humana. Esse meu conhecimento chamava a atenção, mas eu nunca sabia o que dizer. A minha trajetória de vida – desenhando como criança em beiradas de cadernos os bonecos toscos surfando, ondas e pranchas, e, depois, a transformação do desenho desaguando na lembrança da Vittoria Colonna – não tinha como ser explicada nem tem nenhuma relação com as expressões artísticas atuais, seus processos criativos e suas didáticas. Como explicar o que não aprendi sem revelar a origem espiritual deste meu conhecimento?
Basicamente, eu conheci três grupos sociais distintos nos ambientes de artes plásticas. Enquanto convivia com os "tradicionais", que acreditam em desenho, pintura e escultura (veneram Courbet, Rodin, Monet, Brancusi, Picasso, Dali, Pollock etc), e os "contemporâneos", que só buscam o absolutamente novo (veneram filósofos e grandes questões de linguagem visual) e defendem suas ideias "novas" com textos, eu também frequentava os "ingênuos", que só querem aprender a desenhar, pintar e esculpir, e lotam ateliês de cursinhos de arte e barracões de escola de samba. Devido à minha ânsia por conhecer a vida sem a identificação do Michelangelo Buonarroti em tudo o que tinha feito em arte e louco por poder viver o que quisesse – sexualmente falando – acabei tendo mais "êxito" entre os "contemporâneos", com a minha "famosa" Performance da Barbie – mas a grana para pagar a modelo de passarela que contratei para personificar a Barbie veio do trabalho em carnaval, com os "ingênuos".
Todo mundo sabe que o século XX misturou o significado da palavra arte com o significado da palavra liberdade, o que não quer dizer que esta liberdade esteja incentivando toda e qualquer iniciativa artística. Hoje existe o imperativo da originalidade inventada. Mas será que esta originalidade define quem merece o rótulo de artista? Nada haveria de errado na obrigação de originalidade se não houvessem pré-conceitos sobre o que é ser original. Por trás do direito de ser livre para expressar o que quiser em arte, a liberdade artística nivelou na superfície formas e pensamentos estéticos de origens distintas e complexidades díspares. O resultado desta absurdamente equivocada visão é que a conquista da liberdade irrestrita na arte formou um pensamento único, ignorante, repleto de fórmulas sobre como ser original para ser artista, cujas ideias de arte estão reduzidas a discursos políticos baseados em conceitos formulados pelos "contemporâneos" e/ou à habilidade social para se autopromover a celebridade. Neste último caso, "tradicionais", "contemporâneos" e "ingênuos" têm seus valores estéticos nivelados quando adquirem grande visibilidade social.
O meu único ponto de contato com estas discussões foi a minha necessidade de frequentar as pessoas dos ambientes de arte. Depois da minha "famosa" Performance da Barbie, eu já sabia que não era artista em nenhum sentido "contemporâneo", "tradicional" ou "ingênuo" do termo. Os 4 anos que passei escrevendo e adorando o meu natural talento para a escrita ficcional me deram o distanciamento necessário para que eu entendesse a óbvia singularidade do meu outro talento: a arte plástica que expresso é apenas um testemunho visual da minha realidade espiritual, que surgiu enquanto eu desenhava como criança em beiradas de cadernos.
Todas as pessoas dos ambientes artísticos que chamei de "tradicionais" buscavam a reprodução do corpo natural, ou como estudo ou como caminho para resultados surrealistas/fotorrealistas que, hoje, dominam a cena da representação da figura humana. Todos tinham como ponto de partida o modelo vivo. Como eu poderia falar da minha arte, como didática, se a origem da minha figura humana NÃO é o modelo vivo? Como falar da minha arte se a figura humana que expresso é construída por sentimento? Como explicar que eu só preciso desenhar como criança para criar os meus nus? Mesmo assim, esses que classifiquei como "tradicionais" costumavam repetir conselhos para mim do tipo "para eu me soltar" (seguindo aquele bordão imbecil dos modernistas sobre o que seria um desenho mais solto: menos informação anatômica e menos referências no passado). Mas quem precisava se soltar na representação do modelo vivo eram eles, não eu. Eu só preciso do meu rabiscar de criança para construir imagens da minha alma. Quem ainda tem que achar a própria alma para soltar o desenho são eles, os "tradicionais", não eu!
Quando era pressionado pelos "tradicionais" a explicar a minha arte, dizia que, para aprender o meu tipo de representação da figura humana, é necessário domínio intuitivo completo da anatomia humana e domínio intuitivo do equilíbrio do nu em contrapposto (pré-requisitos que nunca encontrei em ninguém até hoje), e muita gente desdenhava da minha explicação sem sequer saber do que estava desdenhando (A linguagem do nu em contrapposto está definida na internet como uma simples postura do corpo (?!?!), e como tendo sido resgatada por Donatello, Leonardo Da Vinci e eu (Michelangelo Buonarroti). É muito estranho que uma simples postura de corpo precise de grandes artistas para ser entendida e resgatada. Mas… Donatello??? Só com aquele Davi ridículo??? Mas… Da Vinci??? Só com aquele desenho??? PQP!!! Por essas afirmações percebe-se que a compreensão do nu em contrapposto perdeu-se no tempo. A música por trás de um nu em contrapposto é coisa da minha época na Italia renascentista).
Entretanto, na relação com os "contemporâneos" havia muito mais atrito. A minha natureza íntima (um surfista que foi surpreendido por uma auto-compreensão não codificada pela atual cultura humana), mesmo mantida em segredo, batia de frente com a arrogância intelectual das pessoas deste ambiente artístico. O deboche com o estilo de vida do meu esporte, o surfe, foi decisivo para que eu nunca mais frequentasse esses grupos de arte (faltou muito pouco para que eu arrebentasse a cara de duas pessoas). Mas o deboche comigo, após abrir a minha realidade espiritual, também encerrou a minha vida social com os outros grupos. Devido à minha disposição para a reação violenta e sem limites, não há mais retorno possível àquela situação de um estranho na festa errada. Hoje, só frequento ambientes de arte por motivo de trabalho e sendo bem pago para aturar estupidez.
Após todos esses anos, eu entendi que não faz nenhum sentido sair do meu universo pessoal. Só porque trabalho com arte não quer dizer que eu queira ser um artista aos olhos da sociedade. E só porque eu não sou esse artista, não quer dizer que não deva expressar a minha arte. Eu nunca vou parar de desenhar como criança em beiradas de cadernos e pedaços de papel. Mas sempre que eu desenhar, estarei seduzido por algum sentimento de transcendência: ou movido pela lembrança da Vittoria Colonna, ou buscando visualizar no traço a saudade do fazer artístico da minha primeira vida. A arte que eu faço não tem nada a ver com a arte atual. A arte que faço é e sempre será um ato de autorreconhecimento da minha identidade Michelangelo Buonarroti e um testemunho visual da minha experiência espiritual.

quinta-feira, 10 de março de 2011

25 de fevereiro de 1983 - O esfacelamento da realidade

Tabea-Jane (7 days ago)
Hello MichelAngelo, I wish, I can understand this language and english (I know only a little).
I'm curious to learn about your life. I would like to read your book.
Best wishes and greetings from Germany for you!
Janet

MichelAngelo▲ (5 days ago)
Hi Tabea-Jane. Google translator is getting better, but the text above is not easy to be understood by non-native. Google translator is good for short and direct phrases. Probably the translation english-german would work well, since my english is not sophisticated. The text I'm sending you was taken from one I wrote to another european friend. It's the best I can do by now. Unfortunately, I'm not famous enough to see my book translated to german soon.
In 1983, when I "decided" to go deep inside myself to understand everything and to see if the Michelangelo's stuff inside me was for real, I had no expectations (did I have a choice after the remembering of Vittoria's death?). I had my beliefs (Bhagavad Gita and Buddhism) but I kept my mind openned to what was going to be revealed to me. The most shocking things were the remembering of passages of my childhood showing disturbing scenes and visions about my identity as Michelangelo. 1st: my guilty about Vittoria was always inside me ever since. 2nd: my parents were always aware about my spiritual identity, what explained their strange behavior during the 80's (they were the only two people that didn't show any surprise with my sudden talent for art – my mother desperately fought against my interest on art! Why was that???)
But I only believed on my spiritual reality after 20 years of suffering. It has nothing to do with any reincarnation explanation that I ever read.
Summarizing it specially for you: the life of Carlos Eurico Poggi was given to the soul of Michelangelo just to his final encounter with Vittoria (this can have a metaphoric meaning). In 1983, I couldn't believe that my biological mind (Carlos Eurico Poggi) was not my real identity. But since 1979, after my surfboard got stolen, I notice that my life was being "modified". Somehow I knew how my life as Carlos Eurico Poggi was going to be (the surfboard never got stolen in the "original version" of my life!). I don't know how to say this to you, but Carlos Eurico Poggi lived a happy and well-succeded life as a pro surfboard shaper. Our present days had already happened in some other dimension. We are living in an alternative reality. I know that sounds weird but I'm tired of seeing it be proved.
In 1986, the limits of my life for having Michelangelo's soul was revealed to me thousands times. I didn't accept them. I didn't believe on them. And I did everything to be Carlos Eurico Poggi. By the year of 2007, I started giving up on that attempt. I was in a self destruction process. I was commiting a very slow suicide. The limits are real! I had no other choice than accepting my spiritual reality.
Behind all that, there's a powerful religious energy that I would classified it as christian. Do you know that my only recorded dialogue with Vittoria was written in portuguese? The portuguese language is an essencial part of my spiritual manifestation. What brought me back demands me to speak portuguese because of the spiritual destiny of what's happening today. I'm not a reincarnation. I'm a final return from the deads.
(Translate this text to german and see if the meaning makes sense. If it doesn't and you are curious about something, make me any question you want)

sexta-feira, 4 de março de 2011

25 de fevereiro de 1983 - O esfacelamento da realidade

25 de fevereiro de 1983 - O esfacelamento da realidade
Olá, pessoal
Não tem natal, ano novo, nada. Para mim, todas as datas comemorativas não passam de ordem unida de uma sociedade bêbada de artificialidades para suportar o próprio porre semanal de vazio existencial. Não pensem na própria alma em espelhos eventuais e nem meditem sobre nada do que escrevo aqui, pois não quero ser acusado de incentivo aos prováveis suicídios. Vamos torcer pelas abstrações tradicionais, pelas abstrações da sua faixa etária (de acordo com seu grupo social, claro) e mentalizar os resultados das pesquisas de marketing para entendermos a vida! Façam isso, sim! A felicidade está, sim, na imagem social porque os mistérios da condição humana só podem ser compreendidos com incontáveis viagens ao exterior. Pelo menos, é isso o que muitos sugerem, entre arrotos ensaiados de suas próprias superficialidades. "Aquilo que eles consideram realidade humana se esgota nos valores de consumo do outro, da sociedade!… PQP… Como podem viver assim?… Não… Não é possível… Isso deve ser só para manter a imagem… Só pode ser…", me espanto, sempre.
Como eu poderia voltar à realidade da vida presente, e ir torcer no maracanã, por exemplo, carregando um fardo de vivências que pulveriza a minha percepção do agora? Como??? No último post, eu apresentei a transcendência que me conduz através do tempo e que, até hoje, não apresentou uma única oscilação em seu desconcertante sentido. Mesmo quando eu lutava contra a ideia de "ser" Michelangelo Buonarroti e lutava para "ser" Carlos Eurico Poggi, julgando tudo pela lógica rasa da vida em sociedade, nunca deixei de notar quão infantil é a ilusão coletiva que rege o jogo de aparências. E sempre me perguntava: "Como conseguem acreditar nessas padronizações? Expectativas materiais e desejos codificados traduzem toda a natureza humana??? PQP!!!". Não me admira que tudo acabe sendo explicado por sensações químicas e realizações biológicas.
Meus pontos de contato com o mundo exterior não podem mais ser vividos dentro da ordem unida da sociedade. Por mais que eu descreva as experiências que vivi no absurdo ano de 1983, nem de longe vou conseguir mostrar o esfacelamento da realidade que enfrentei, e continuo enfrentando, por ter a vida ocupada pela transcendência que se mostrou inteira para mim até dezembro daquele ano. A última definição que escutei sobre o meu caso – "estigma religioso" – é mais uma tentativa de redução a normalidades conhecidas. Contudo, não poderia fechar a semana dedicada à Vittoria Colonna sem voltar àquele começo de semestre. Os momentos que antecederam a lembrança da Vittoria na banca de jornal da Rua Real Grandeza foram meus últimos minutos como "Carlos Eurico Poggi" ainda dentro do cenário de sua vida original. Nunca vou esquecer do que eu pensava e da firmeza dos meus passos na calçada que, sepultando a estranha arte renascentista vinda do nada, optava pelo rumo seguro da vida conhecida.
Até aquele final de fevereiro, quando finalmente eu descobri um livro que atestava a verdade da minha emoção ao lembrar da morte da Vittoria (não há como ter certeza que eu tenha encontrado esse livro exatamente em 25 de fevereiro), por mais experiências estranhas que já tivesse vivido, nunca tinha perdido o foco da realidade do mundo e suas urgências materiais. Naquele momento, porém, como explicar a mim mesmo as crises de choro pela simples pronúncia do nome Vittoria Colonna? Crises de choro que, 17 anos depois, ainda ocorreram! Como explicar apenas este transtorno emocional? Não havia consciência mundana que pudesse resistir a descontroles sem origem na presente vida. Não havia consciência mundana que não percebesse a lógica de algo que transcende, sem nenhum esforço da imaginação, a ordem do mundo.
No último post, eu expliquei o absurdo que tenho vivido ao falar que "existiu" um "Carlos Eurico Poggi", em outro "universo possível", cuja vida nada teve a ver com a minha atual. Sei que isto soa como arrependimento das "escolhas" que fiz na vida, mas não é. (Diante da lembrança da Vittoria e suas consequências emocionais, vocês acham que eu tinha escolha???). Se hoje estou à vontade para revelar algo tão controverso como esta minha percepção, sobre um suposto "Carlos Eurico Poggi" original e sua suposta vida original, ignorando a lógica óbvia da nossa existência, só posso estar sendo movido por experiências que comprovam o que estou dizendo.
Em 1983, depois da lembrança da Vittoria em fevereiro, aconteceu o segundo ponto-chave desta minha história. Três meses depois, eu abordei a tal Mônica por causa da identificação da Vittoria que ela havia provocado em mim. Assim que expressei para ela uma ideia que transcendia o tempo normal de uma vida humana – quando afirmei conhecê-la há 400 anos – começou a sequência de visões e sonhos premonitórios que revelavam a nova trajetória para a vida do "Carlos Eurico Poggi". Até hoje, não houve uma única falha na sequência dos "momentos-futuros" traduzidos de forma simbólica naquelas visões e sonhos premonitórios. Como só faltam três "momentos-futuros" por acontecer (o antepenúltimo começou em 2008), cujo tempo de duração não tem como ser previsto (o "momento-futuro" mais curto durou dois anos e o mais longo, dez), não há mais como duvidar de nada daquilo que vivi nos anos 1980.
Uma compreensão mais profunda não sugere a minha condenação a um exato determinismo, ou destino, mas a um círculo vicioso movido pela ilusão de viver a vida normal do "Carlos Eurico Poggi". A minha realidade íntima estava congelada na emoção pela Vittoria, e as visões e sonhos premonitórios apresentavam "momentos-futuros" em que a solução para esta situação apareceria diante de mim. Esta solução, do enigma emocional representado pela Vittoria Colonna, era contar para todo mundo o que aconteceu comigo, em 1983, que me levou ao caminho da arte. O descongelamento da minha realidade íntima dependia de eu me aceitar por inteiro. A apresentação como o próprio Michelangelo Buonarroti vivendo através da vida do infeliz "Carlos Eurico Poggi" era o remédio amargo diário que eu teria que estar engolindo desde então. O arrependimento que existe em mim é não ter começado a fazer isto antes de ver a destruição que seria imposta pela vida a todas as minhas iniciativas nos últimos 20 anos.
Diante deste texto, duvido que aqueles, com um mínimo de inteligência e sensibilidade, ainda possam achar que existe alguma loucura no que estou fazendo hoje. Estou apenas agindo de acordo com a minha realidade íntima, cujo sentido mostrou-se inabalável por décadas, por mais que eu a tenha atacado com as ideias de livre-arbítrio e acaso que a sociedade mundana nos impõe como verdades absolutas.
Como compreensão definitiva, acho que nunca existirá regras ou leis que padronizem a existência humana. Jamais haverá como entender tudo o que acontece conosco. E nem devemos tentar.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

25 de fevereiro de 1979 - O início do absurdo

Olá pessoal
Prosseguindo com a minha postura de viver abertamente o meu passado – já que fez tão mal para a saúde guardar segredo, no sentido de como as coisas aconteceram na minha vida –, aqui estou eu para falar um pouco do dia 25 de fevereiro, data da morte de Vittoria Colonna. Sempre que esse dia se aproxima, coisas estranhas acontecem, não tenho como evitar de sentir a presença dela e a vida volta a mergulhar em uma saudade devastadora. Talvez, esta minha exposição pública de segredos seja até uma forma de me defender do sobrenatural. A dimensão mística dos finais de fevereiro que já vivi são muito assustadores.
Pessoas que se interessam por espiritualidade e paranormalidade sempre querem escutar de mim uma explicação definitiva sobre como o fenômeno espiritual acontece comigo. Para esclarecer isso, nada melhor do que voltar a 25 de fevereiro de 1979, um belo domingo de sol, e entender como aquele roubo da minha prancha revelou o absurdo que eu começaria a enfrentar.
Assim que a situação do roubo teve início, enquanto eu corria na areia quente, além daquelas comunicações de outra dimensão que escutava, uma percepção muito profunda sobre aquele momento tomou a minha mente com o impacto de um soco na cara. O chocante naquela situação do roubo da prancha não foram as "vozes" sobrenaturais. O meu choque veio da incompreensível certeza de que o roubo não tinha acontecido na vida que eu "sabia" que viveria como Carlos Eurico Poggi. Eu sei que esta afirmação não tem lógica, mas eu tinha absoluta certeza de que, em um outro "universo possível", a prancha não foi roubada e ela se tornou um sucesso técnico que me lançou definitivamente como fabricante de pranchas.
O mais incrível, depois do roubo, foi assistir a lenta transformação de fatos da minha vida que eu "sabia" que dependiam da existência da prancha roubada. Eu "sabia", sei lá como, que eu faria uma prancha quase idêntica a um amigo da turma da rua, que era um ótimo surfista, cujo sucesso em um campeonato daria visibilidade para o meu talento como designer de pranchas naquele ano de 1979. "Mas não há mais prancha para eu copiar as dimensões!", me desesperei, quando me vi na situação que "sabia" que viveria. Pasmo, assisti a outro fabricante fazer uma prancha parecida para este meu amigo, que mandou bem no tal campeonato, como eu "sabia" que aconteceria. E assim, aos poucos, a vida feliz e bem-sucedida que eu "sabia" que viveria como Carlos Eurico Poggi foi sendo "modificada".
Hoje, três décadas depois, a estranheza com tudo ao meu redor continua. Apenas os fatos "modificados" da suposta vida original do Carlos Eurico Poggi original não acontecem mais diante de mim, porque o Carlos Eurico Poggi original não estava aqui, no Rio de Janeiro, aos 50 anos de idade, quando as coisas aconteceram originalmente naquele outro universo possível. Bizarro? Com certeza! Mas incrivelmente verdadeiro! É possível, inclusive, perceber resquícios do suposto Carlos Eurico Poggi original no comportamento das pessoas que estariam envolvidas naquela suposta vida original dele. Tenho amigos que simplesmente não enxergam e/ou ignoram a minha vida atual e ficam repetindo perguntas sobre a minha vida de surfista como se nada de diferente tivesse me transformado ao longo dos anos. Essas pessoas, com suas percepções inexplicavelmente congeladas, para mim, são a prova viva de que realmente existiu um outro universo onde a minha prancha não foi roubada em 25 de fevereiro de 1979.
De uma forma que não sei explicar como, sinto que a vida original do Carlos Eurico Poggi original está, sim, pré-gravada no meu inconsciente profundo. Para meu desespero e agonia, às vezes, sou capaz de ver cenas da vida original se desenrolando como um truncado filme mudo. Mas cada vez menos me reconheço nessas supostas cenas da suposta vida original. Contudo, para controlar a angústia e enfrentar o dia a dia de uma vida "modificada", na qual não existe mais o Carlos Eurico Poggi original, procuro manter contato com o mundo do surf.
Em 1983, quando a lembrança da morte da Vittoria Colonna revelou a identidade da minha alma – e descobri o significado do 25 de fevereiro – o difícil foi aceitar que eu não era a mente biológica batizada de Carlos Eurico Poggi, que estava sendo arrancada de sua vida original. Depois, em 1986, diante das revelações dos limites da minha vida por ser o que sou – uma existência terrena entregue à alma de Michelangelo Buonarroti para que ele reencontre Vittoria Colonna (seja lá o que isso signifique) –, simplesmente não aceitei que não poderia viver livremente por não ter a alma do Carlos Eurico Poggi original. Não quis nem saber e resolvi que seria um Carlos Eurico Poggi qualquer em uma vida reinventada. Em 2008, completamente esgotado, depois de 20 anos arrebentando a cara contra a muralha que limitava a minha vida por eu ter a alma de Michelangelo Buonarroti, eu desisti de tentar ser um Carlos Eurico Poggi qualquer.
No meu último 25 de fevereiro, de 2010, sem saber eu escrevi o texto mais intenso de toda a minha vida, chamado "A Confissão", com o qual eu fechei o meu livro "Ícaro, Contemplação & Sonho". Nesse texto, no qual expressei o arrependimento de uma vida inteira lutando contra a realidade de uma emoção que tudo transcende, está a síntese de todos os 25 de fevereiro. Nesse texto está a explicação definitiva sobre a minha pessoa, a minha vida e a minha experiência espiritual: eu sou a encarnação do amor do Michelangelo Buonarroti pela Vittoria Colonna. Apenas isso.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O livro está à venda!!! ASCENSIO MARIAE!!!

The Icarus Challenge
Brasil:
O livro Ícaro, Contemplação & Sonho já está à venda no site da Publit!
Eis o link:
http://www.publit.com.br/store/product_info.php?products_id=1215
Qualquer dúvida ou dificuldade com o site para compra do livro, escreva para o consultor editoral: jose.pupo@publit.com.br
Em breve, eu mesmo terei exemplares para venda.

Olá pessoal
Agora, sim, vai dar para começar alguma discussão sobre a natureza do que eu vivi. Ficar respondendo a curiosos que tentam me enquadrar em teorias, crenças e estruturações racionais diversas é muito chato. Agora, diante de um conciso relato escrito da minha trajetória de 1979 até 2008, a discussão será bem mais produtiva e consequente.
A minha opção ao organizar o livro foi criar um texto didático e explicativo. Assim que uma experiência ou sonho é descrito, a compreensão da época do ocorrido é sempre seguida da elucidação dos significados pela clareza da minha consciência atual. Dessa forma, acredito que não haverá como ninguém ficar perdido na narrativa. As incompreensões que sofro até hoje foram as responsáveis por esta solução na criação do livro.
O meu limite na hora de contar o que eu vivi foi definido por duas condicionantes: a minha vida privada atual e o entendimento médio das pessoas. O único conceito de psicologia do qual faço uso e cito um autor de referência é sobre a ideia de sincronicidade, cujos estudos de C.G.Jung são famosos. Contudo, vale lembrar que a compreensão da realidade através da conexão sincrônica de eventos físicos e espirituais é a base de todas as culturas ancestrais.
A impressão imediata do leitor que viu o meu filme doc "Ícaro, Contemplação & Sonho" é que o vídeo não passou de uma curta apresentação de situações. O alívio que sinto de poder narrar aquelas passagens de uma forma mais completa é indescritível. A minha sensação é de estar implodindo o castelo dos vampiros com o sol à pino. Muita gente vai virar pó. Sei que estou chutando a cara de certos tipos com este livro, mas não há como evitar isso. Escrevi o mínimo necessário para me explicar e já contabilizei os problemas pessoais futuros.
Fiz a defesa da minha arte da única forma possível: colocando-a como uma natural continuação do meu trabalho na vida italiana, mas limitada pela emoção ligada à Vittoria Colonna, que molda a realidade da vida atual. E vamos ser sinceros, não havia como eu me apresentar como Eurico Poggi tendo em mãos o que produzi. Os julgamentos errados a meu respeito, quando apresentava meus desenhos e esculturas, apenas atestavam o óbvio: o autor se chama Michelangelo Buonarroti.
Agora, permaneço aguardando para ver quem vai me enfrentar no inevitável debate: "Eurico Poggi é ou não é Michelangelo Buonarroti em sua segunda vida?". Venha quem vier contra mim, não duvide de que vai encontrar aqui uma pedreira sem fim e que não vou ser nem um pouco elegante nas minhas respostas. Não ligo a mínima para o que vai acontecer comigo e o meu último objetivo neste final de vida é provocar o maior estrago possível na concepção de mundo desta sociedade babaca que tanto me agrediu.
É óbvio que toda a argumentação sobre a expressão da minha arte escultórica, na qual busquei avaliar o quanto eu seria "Michelangelo de novo", vai ser obscurecida pela minha resumida explicação do teto da Capela Sistina. A arte escultórica é muito complexa para o entendimento leigo, mas a explicação da Sistina é clara e cristalina. Apesar de ter economizado nas palavras o suficiente para deixar significados em aberto (e faturar depois com uma segunda edição turbinada e/ou meter porrada verbal nos intelectuais otários), o que está no livro é suficiente para obrigar a reescrita de todos os livros sobre as famosas pinturas do teto. Pessoalmente, eu não acredito que, até hoje, ninguém tenha entendido o sentido por trás daquelas imagens e suponho que a atual incompreensão seja coisa desta época em que vivemos, cujo conhecimento descarta qualquer visão mística ou até alguma censura orquestrada pela Igreja Católica. A partir deste momento, quando publico o livro, começo a contar quanto tempo vai levar para que o meu pequeno texto seja levado a sério. Eu sei que esta minha apresentação como o próprio Michelangelo é uma barreira e tanto, dependendo do quanto a pessoa for conservadora e preconceituosa, mas isso não será desculpa diante do que revelei no livro.
Porém, muito mais do que transgressora e provocativa, esta minha apresentação como o próprio Michelangelo é, sim, uma declaração de guerra ao senso comum do planeta Terra globalizado atual. Desde o dia em que decidi fazer isso, imagens bélicas passaram a desfilar na minha mente enquanto o início da guerra espiritual era imediato, com ataques vindo de todos os lados. A vida estava definida: jamais haverá retorno desta situação em que mergulhei – as minhas "caravelas já foram todas queimadas" (Ver "Cortez" na "Conquista do México"). Este livro é a minha "barcaça de transporte de tropas atingindo a praia de Omaha" (Ver "Dia D" na "2ª Guerra Mundial"), sei que as rajadas das metralhadoras e as explosões contra mim nunca cessarão, mas não vai haver defesa contra o meu avanço simplesmente porque não tenho outra escolha! O tempo que me resta de vida vai engolir todo tipo de gente babaca porque a profundidade do que eu vivi não oferece nenhuma saída racional! Transformado, agora, em ataque permanente pela minha exposição pública, o tempo está a meu favor (Ver o livro "A Arte da Guerra", de Sun Tzu). Passei uma vida sendo bombardeado e recuando meus exércitos porque nunca quis essa guerra. Não a queria porque a vida que eu desejava era outra. Mas os meus batalhões de infantaria, divisões de tanques, esquadrilhas de caças e bombardeiros, porta-aviões, mísseis, fragatas, satélites e o caralho, depois de todas as agressões que sofri, estão intactos. Agora, galera, começo a revidar sem dó nem piedade! Não vou poupar ninguém e vou usar toda a munição que tenho guardada!
Aos senhores doutores, políticos e corruptos de filosofias de vida e religiões diversas, que definem onde está a objetividade do real e formatam misticismos para a sociedade global, quero dizer que fiz de tudo para me adaptar às suas exigências e terminar a minha vida em paz, calado, esquecendo transcendências e segredos. Mas isso não foi possível pela estupidez intrínseca ao mundo de vocês. Agora, senhores doutores e etc, sejam espertos e continuem me ignorando – é a única saída digna para vocês. A realidade revelada pela minha trajetória de vida se torna mais nítida sempre que é atacada pela racionalidade vazia. Se tentarem me desmistificar com retóricas acadêmicas, a realidade revelada pela minha trajetória de vida vai fugir do controle! – Estão vendo como sou um cara legal ao avisar sobre isso?
Entretanto, se algum dia eu tiver que vir a público para explicar o que "Ascensio Mariae" tem a ver com tudo isso, será porque a questão central da guerra espiritual "Eurico Poggi é ou não é Michelangelo Buonarroti em sua segunda vida?" terá se tornado uma porrada mundial, o resultado deste bate-boca será o lançamento de um míssel balístico intercontinental e não vai sobrar NADA da "cidade" alvo. (Sugestão deste blog: salvem ou imprimam este post para a posteridade).

sábado, 18 de dezembro de 2010

Vittoria Colonna


Vittoria Colonna, originally uploaded by MichelAngelo▲.

Veja os meus posts
icarocontemplacaoesonho.blogspot.com/
Vittoria Colonna com tranças.
"Eu sei que você já pode me ver. Isto é para você, com todo meu amor." MichelAngelo.
Nanquim sobre papel. 2010.
Respondendo à curiosidade geral:
Não, eu ainda não a encontrei. Estou apenas expressando uma sensação que me acompanha desde 1983 e que se tornou a essência da minha consciência.
Súbito, eu a senti com o coração e fiz o desenho acima. Quando fui postar a imagem, eu descrevi a sensação.
O meu autorreconhecimento como o próprio Michelangelo vem do meu desespero ao vê-la morta em 1547. Não tenho evitar que essas coisas aconteçam.

Vittoria Colonna with braidings.
"I know that you already can see me. This is for you, with all my love." MichelAngelo.
Indian Ink on paper. 2010.
Replying the general curiosity:
No, I didn't have found her yet. I'm just expressing a sensation that emerged in 1983 and became the essence of my consciousness.
Suddenly I felt her with my heart and I sketched the image above. After that, when I was posting the pic, I wrote the line about the sensation itself.
The recognition of myself as Michelangelo himself comes from my desesperation when I saw her dead in 1547. I can't avoid these stuffs to happen.

domingo, 28 de novembro de 2010

My last words to the Old Pothead Lady

The Deposition Of Christ
The Old Pothead Lady wrote:
My point is this: plenty of people on DA have produced michelangelo look-alikes. I don’t understand what makes your renditions so special as to consider yourself the man reborn.
I answered:
Could you show me one of this michelangelo look-alikes? Just one! Could you? Drawings would be fine.
I spent 20 years looking for this kind of art work to prove to myself that the secrets of my art can be learned.
If you show me any direct copy or close to that I will stop this discussion!
And will not post anything of this debate on my blog!!!

Well, the discussion stopped anyway. But I decided to show here how stupid people use their rhetoric just to protect the official understanding of reality. It's interesting to see that since I started presenting myself as Michelangelo himself nobody dared to face me. Why is that? I'm coming to the conclusion that there's a complete absence of knowledge on my kind of art. Probably everyone is affraid of some secret that I would be keeping hidden.
I confess that I'm waiting for the attack from an art authority. These discussion with average people are pointless.

The discussion: http://michelangelonow.deviantart.com/gallery/?offset=96#/d24was7